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Peter Siemsen: “Queremos ganhar a Libertadores e o Mundo”

Peter Siemsen: “Queremos ganhar a Libertadores e o Mundo”

O Fluminense está absoluto no futebol Brasileiro, nos últimos anos disputa jogo a jogo o título Brasileiro com os adversários, está sempre na Libertadores, é campeão Estadual e a um passo do Tetracampeonato Brasileiro. Para o presidente Peter Siemsen, o que vem fazendo o Time de Guerreiros ainda é pouco, falta a Libertadores e o Mundial.

- Temos a ambição de ganhar a Libertadores. Temos grupo, investimento e gestão para isso. Queremos ganhar o mundo. Mas para isso temos de melhorar o que já melhoramos até aqui. Não gosto da palavra obsessão. Não perseguimos apenas a Libertadores e o Mundial. Temos de perseguir o crescimento. O título é o resultado de um trabalho. Ser eficiente em todas as áreas, competente, honesto, cumpridor de regras… Nas Laranjeiras, do presidente ao porteiro, do jogador ao funcionário, nossa obsessão é cumprir regras. Temos sempre o objetivo de conquistar títulos. E o trabalho obsessivo em busca de melhorias pode resultar nesse objetivo – disse o presidente tricolor em entrevista ao Esporte Espetacular.

Peter falou do momento atual da relação com a Unimed, mostrou-se ainda cauteloso com o iminente tetracampeonato, confirmou que o novo CT e afirma que ano que vem, o Fluminense continuará a ser protagonista no futebol nacional.

- O Fluminense se consolidou, sim, como uma das grandes forças do futebol brasileiro atual, mas dizer que é o time a ser batido é difícil avaliar. Seremos um dos protagonistas no ano que vem de novo. Disso eu não tenho dúvidas – frisou.

Confira abaixo os principais tópicos da entrevista:

Flu/Unimed

- Acho que é um projeto diferente no futebol brasileiro. A relação com o patrocinador se transformou em uma relação de parceria. O projeto vem evoluindo tanto graças ao parceiro como ao momento vivido pelo Fluminense. O clube está conseguindo contribuir e se preocupar com coisas que podem dar consistência na busca por resultados. Fatores como estrutura, investimento na base, integração da base com o profissional, austeridade financeira, maior responsabilidade financeira. Honrando nossos compromissos e cumprindo nossas obrigações, no futuro poderemos ter uma sobra maior para investir. A cabeça do clube mudou. A parceria está chegando a um nível muito bom, e o Fluminense pode sim almejar resultados cada vez melhores e mais consistentes. Tínhamos um bom parceiro e grana, mas a situação era inconstante. Agora o clube conseguiu se adequar a uma realidade mais profissional.

Evolução da parceria

- O parceiro evoluiu muito ao longo do tempo. Hoje ele conhece mais o mercado, as dificuldades, os momentos de euforia… São raros os parceiros que sabem lidar com o mercado do futebol, por exemplo. É uma área complexa, com características próprias… O Fluminense sabe sua realidade e está investindo no que pode dar resultados. Tratamos os recursos com carinho e sem desperdiçá-los. Esse dinheiro bem gerenciado significa disputa de títulos. Não estar no melhor nível das cotas de TV pesa. Nós, assim como outros clubes como Internacional e Grêmio, precisamos encontrar soluções, buscar o tempo perdido como clube. Temos de nos inspirar na seriedade que o São Paulo demonstra, no empreendedorismo que o Internacional teve em seu plano de sócio-futebol, que nada mais é ligar o torcedor que não visa a área social ao clube. Procuramos também criar a característica de clube formador investindo forte na base e apostando na relação comercial com mercados emergentes como o americano, o australiano e o do Leste europeu. O Fluminense já vem evoluindo muito. Somando isso ao parceiro e seu conhecimento de investimento no futebol, podemos nos manter nos trilhos durante um bom tempo para estarmos sempre brigando pelos títulos. Do meu ponto de vista pessoal, acho que o momento é muito bom. Mas espaço para melhorar tudo tem na vida. Não acho que a mudança seja colocar dinheiro em Xerém. Temos de ter capacidade de gestão. Temos de fazer nosso trabalho e acompanhar o trabalho da Unimed. No modelo, a vinda de um executivo como o Rodrigo era o ideal. Ele é o executivo ideal para um projeto em conjunto como esse. Não tem lado Unimed e lado Fluminense. A tomada de decisão no futebol é pensando nesse projeto único. É uma decisão única, centralizada em que todos participam. É o conceito ideal. Mas podemos melhorar em tudo. Na contratação de atletas, na captação de jogadores, na gestão do grupo… Tudo pode melhorar.

Brasileirão 2012

- Queremos ser campeões e falta pouco. Mas falta. Temos de vencer essa última barreira. Ainda não quero a faixa de campeão. Como torcedor vivi o auge da década de 70, a eficiência em 80, a tragédia em 90, a difícil reconstrução nos anos 2000 e agora, como presidente, estou sendo parte da história de 2010 em diante. Estou meio gato escaldado. Vivi o 1% de 2009 na arquibancada, os pênaltis injustos da Libertadores de 2008. Enquanto não tiver 100% confirmado, ficarei cauteloso.

Libertadores

- Temos a ambição de ganhar a Libertadores. Temos grupo, investimento e gestão para isso. Queremos ganhar o mundo. Mas para isso temos de melhorar o que já melhoramos até aqui. Não gosto da palavra obsessão. Não perseguimos apenas a Libertadores e o Mundial. Temos de perseguir o crescimento. O título é o resultado de um trabalho. Ser eficiente em todas as áreas, competente, honesto, cumpridor de regras… Nas Laranjeiras, do presidente ao porteiro, do jogador ao funcionário, nossa obsessão é cumprir regras. Temos sempre o objetivo de conquistar títulos. E o trabalho obsessivo em busca de melhorias pode resultar nesse objetivo.

CT/Estádio

- A profissionalização do futebol do Fluminense não deixa a dever a nenhum outro clube do Brasil. Em infraestrutura ainda falta muito, sim. O CT não falta mais, vai ter. É assunto resolvido e vai acontecer em breve na Barra. A questão do estádio é mais profunda. Obviamente estamos trabalhando em cima do Maracanã, mas o sonho ideal era ter o próprio estádio. A Arena do Grêmio é um exemplo espetacular. O objetivo de longo prazo é esse. Primeiro temos de resolver a questão do Maracanã. Vamos voltar para casa e potencializar a receita, já que hoje temos a nossa bilheteria muito prejudicada. Podemos até pensar em um novo estádio. Não dando certo, o Maracanã é nossa peça-chave e temos de tratá-lo como nosso.

Xerém 

- Não tenho dúvidas: Xerém vem para complementar o projeto Fluminense e Unimed. É essencial ser um clube formador. Esse é nosso planejamento. Não se perde investimento feito na base. Além desses jogadores poderem reforçar ainda mais o elenco profissional. Hoje trabalhamos com cerca de 28 ou 29 jogadores. Talvez seja o menor elenco dos 20 clubes da Série A. Quando temos alguma emergência, o Abel traz um jogador da base para complementar. Depois do problema, ele volta para a base. Trabalhar com um grupo reduzido é melhor para o treinador, para a gestão do futebol, tem menor custo, podemos dar mais atenção a todos… Isso torna o clima positivo. Sempre que usamos a base ela tem correspondido e isso passa confiança. Ela sozinha não é suficiente, deixaria o time no meio da tabela, mas somada ao projeto Unimed torna o Fluminense um clube vencedor.

Revelações

- O que o Santos fez para manter o Neymar é exemplo para o futebol brasileiro. Digno de ser reconhecido como um clube que teve muita coragem e capacidade. O exemplo a ser seguido. Mas nem sempre é possível. O Fluminense vem trabalhando o futebol como um negócio. A produção de atletas em Xerém precisa ser constante. Hoje também captamos jogadores de 17, 18 anos no mercado. Mas com essa alta produção, nem todos chegarão ao time profissional. É preciso ter planejamento. Usamos algumas peças de reposição em setores carentes do time. Assim como é preciso ser racional no momento de tomar a decisão de vender ou manter certo jogador. Podemos tomar a decisão tida como certa e no futuro tudo mudar. Assim como o contrário também pode acontecer. É preciso trabalhar com o momento. Não podemos ter medo de vender um jogador na hora em que ele valorizar muito para investir esse dinheiro. Temos de pensar sempre em criar jogadores ainda melhores. Vamos alimentando a roda. É um ciclo contínuo que temos que alcançar. Uma boa capacidade financeira lhe dá o direito de escolher o momento exato de vender. Depende também da qualidade e do valor das promessas.

Filosofia

- Existe sim um amadurecimento de quem está no futebol do Fluminense. Trocar de técnico toda hora só dá prejuízo e quebra a filosofia do trabalho. Com tempo de casa o técnico conhece tudo melhor, sabe onde estão os defeitos, cria a cultura do clube… O Fluminense hoje tem um perfil. O jogador vem sabendo que precisa se adaptar a ele. Ou então tem o perfil igual e quer vir para cá por causa disso. Estamos criando a Filosofia Fluminense. A manutenção dos profissionais é muito importante. Claro que ela nem sempre é possível pela questão financeira ou pelas partes terem outros horizontes, mas um projeto consolidado requer apostas a longo prazo. Lideranças duradouras tem muito mais chances de darem certo. Nosso amadurecimento é nesse sentido, de não se tomar medidas radicais pressionados por resultados.

Crescimento

- O que temos de concreto é que no último ano cerca de quatro mil torcedores se associaram ao clube. Eles pagam em torno de R$ 110 por mês, um valor interessante per capita. É muito bom. Agora queremos acompanhar a demanda dos tricolores fora do Rio que não têm o interesse de vivenciar socialmente o clube. Uma categoria especial de sócio votante, que quer fiscalizar, quer transparência. Por isso tivemos a assembleia geral para adotar no estatuto a categoria de sócio torcedor votante, que pagará entre R$ 30 e R$ 40 por mês, e terá vários benefícios. O crescimento se demora a notar. Mas percebemos a euforia do torcedor jovem. Nossa torcida passou por um processo de não crescimento nos últimos anos. Esperamos manter esse círculo vitorioso para que isso se reflita na torcida. Já noto na escola dos meus filhos um respeito muito grande pelo clube. Essas crianças estão tomando a decisão de virarem torcedores. Não temos um estudo profundo sobre isso. Quem sabe no futuro essa fase represente um crescimento da torcida jovem. O clube crescendo, gerando receita, a imagem se fortalecendo, a torcida se fidelizando cada vez mais… Seria um sonho.

Time a ser batido?

- Nossa folha salarial não é a maior do Brasil. Existe elenco por ai de 30, 40 jogadores. O nosso tem menos de 30. E quantos são da base? Esses são salários baixos para o padrão do futebol. O Flu não vive hoje uma situação que passou em seu passado recente. Não vejo também como o time a ser batido. No cenário brasileiro atual temos o Corinthians, o São Paulo, que vem fazendo um bom trabalho de formatação do elenco jovem e vai alcançar resultados importantes em breve, o Santos, que tem muitas referências em seu grupo… O Corinthians é um time consolidado, mas seu foco nesse Brasileiro era outro. Ainda assim vai entrar forte na próxima Libertadores. É um time que tem o perfil da equipe do Fluminense, um futebol de eficiência e sempre em busca do resultado. O Atlético-MG aparece como uma força emergente, com uma equipe jovem e um presidente aguerrido. O Fluminense se consolidou, sim, como uma das grandes forças do futebol brasileiro atual, mas dizer que é o time a ser batido é difícil avaliar. Seremos um dos protagonistas no ano que vem de novo. Disso eu não tenho dúvidas.

Pendências

- O que falta é capacidade de gastar mais dinheiro. Falta braço. Reduzimos muito o custo do clube e temos agora um corpo de trabalho pequeno. Não posso contratar sem ter dinheiro para pagar. Estamos trabalhando com a criatividade. Fizemos um museu sem gastar um tostão, estamos finalizando o bar temático da mesma maneira, ambos em parceria com a Brahma, fizemos investimentos em Xerém com base em permuta de atleta, estamos reformando o complexo de piscina do clube para conter um vazamento antigo… A conta de água dava R$ 200 mil e agora vai cair para R$ 80 mil. Fazemos tudo com criatividade, mas gostaria de ter mais recursos para investir. Isso aceleraria o nosso crescimento. Temos de vencer essa fase de equilibrar as contas. Faltam R$ 3,5 milhões para investir na base e tornar Xerém um local nível AA. Em marketing faltava o sócio futebol. Queria ter até recursos para fazer um grande investimento no lançamento. Haverá defeitos no projeto, é normal. Não temos capacidade financeira para termos hoje um projeto perfeito

Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Profissional de Marketing Digital, SEO e Mídias Sociais, gosta de poesia, música e filmes, é pai da Heloísa e claro, torcedor do Fluminense.

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