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Sóbis não se considera reserva no Fluminense

Sóbis não se considera reserva no Fluminense

O atacante Rafael Sóbis foi contratado para ser titular absoluto ao lado de Fred no ataque Tricolor. Ao longo da temporada 2012, o jogador perdeu a posição e o destaque no grupo para o veloz Wellington Nem. Em entrevista ao Globo Esporte, o jogador explicou que é parte importante no Grupo e não se considera reserva no Fluminense.

Confira a entrevista na íntegra:

Ter sido comprado em definitivo pelo Fluminense em julho do ano passado lhe dá mais tranquilidade para trabalhar?

Quem está emprestado para um clube por um ano e falar que não se preocupa está mentindo. Você não pode se machucar, tem que render, fazer amigos. Ser perfeito, digamos assim, para ser comprado. Depois que compra dá um alívio. Envolve família, envolve translado de filhos, escola, muita coisa fora de campo. É difícil. Depois que dá certo, dá uma relaxada sim.

Você é experiente, vitorioso por onde passou e só tem 27 anos…

(Interrompe a pergunta) Acho que eu estou velho já (risos). Está todo mundo com 18… Mas dizem que viver entre os 26 e 29 é o auge, né? Tomara.

Mas você se sente no auge?

Não sei. A cada ano que passa eu me sinto melhor de cabeça, de leitura de jogo taticamente, fisicamente não tenho problema nenhum. Então me sinto muito bem.

Voltando à pergunta anterior: Você é experiente, vitorioso por onde passou e só tem 27 anos. Ainda é cedo para falar em encerrar a carreira no Fluminense?

Quando você está bem em um clube, ele vence, tudo dá certo, a cidade é boa, por que não? Mas não penso muito nisso ainda. Não sei até quando vou jogar. Só acho que não vai ser por muito mais tempo.

O que é muito mais tempo para você?

Sei lá, mais uns cinco anos. Não acho normal parar com 32. É muito cedo.

Mas por que essa ideia de parar com apenas 32 anos? Se sente cansado da rotina?

É difícil. Na verdade o que vai dizer se vou parar mesmo nessa época vai ser o momento. Acho que um jogador tem que saber o momento que não está dando mais, o momento que o pessoal já está te atropelando dentro de campo… Não dá para querer jogar até os 40 e sofrer. Comigo isso não vai acontecer. Imagina eu no Fluminense, com o time vencendo e tal, se der para ir levando e meu rendimento estiver bom, posso pensar em seguir. Mas é difícil prever agora.

É possível um dia o Fluminense chegar ao mesmo nível de importância do Internacional na sua carreira? Ou falta muito?

Títulos, carinho de torcida… Mas nos meus dois primeiros anos de Internacional eu não conquistei o que consegui aqui. O Fluminense já é muito especial. Minha família ama o Rio, meus filhos já falam chiado. Eles estão na fase em que estão apaixonados pelo Fluminense, começando a entender mais as coisas. Cantam o hino, música do Fred. Não sei da onde eles tiram isso. Eles têm uma memória muito boa. O mais velho tem quatro anos e eles já me ensinaram uma música do Flu: “Para pra ver, que começou, o show do meu tricolor!”. Do campo é difícil escutar bem e eles me ensinaram. Por isso repito: o Fluminense já é muito especial na minha carreira. Se eu sair amanhã, o Fluminense já terá marcado muito para o lado positivo a minha carreira.

No fim de 2012 você foi perguntado sobre a reserva e se saiu com a seguinte resposta: “Acho que sou um cara legal, não reclamo dessas coisas”. Como você lida com a situação?

Nunca me incomodou. Sendo titular ou reserva, eu sou a mesma pessoa, treino da mesma forma. Se eu vou jogar bem, não sei. Mas sou a mesma pessoa e quem me conhece sabe. Não tenho porque mudar. Tudo o que conquistei foi assim. O jogador não é indiscutível em lugar algum. O futebol está ai para aprender, para ensinar. Vai saber. Tem muita coisa para rolar ainda, o ano está apenas começando. Mas se eu for banco não tem problema algum.

No patamar que o Fluminense atingiu nos últimos anos, com um grande elenco, participações seguidas na Libertadores, dois títulos brasileiros, é melhor ser reserva nesse time do que titular em um outro qualquer?

Depende do pensamento do jogador. Eu devo ter tido mais jogos do que muitos titulares em 2012…

Você jogou 41 jogos no ano passado. Mais do que titulares como Leandro Euzébio (37) e Deco (36). E muito perto de outros nomes como Fred (45), Gum (45), Wellington Nem (48) e Thiago Neves (49)…

Viu só? Reserva depende muito. Vai entrar aquela história de que não existe reserva no futebol e tal. Hoje o Brasil está ficando parecido com a Europa. Você joga um jogo, no outro não joga, depende do adversário, da forma de jogar. Estamos indo para esse lado. Não me considero reserva, sinceramente. Os números mostram isso. Mas é claro que só 11 entram em campo.

Desde que foi contratado, você ficou marcado por belos gols de fora da área. Os jogadores até lhe chamam de “Chuta-chuta da Estrela”. Sempre foi uma de suas características?

Sempre foi assim. No meu primeiro jogo como profissional, contra o Juventude, fiz um gol da intermediária assim. Na hora eu não penso muito. Abriu, chutou. Naquele jogo contra o Grêmio ainda foi com a perna ruim. O Thiago Neves roubou a bola e eu estava sozinho no meio-campo. O Fred estava mais atrás. Não sou o Nem para conseguir sair correndo e driblando todo mundo. O que eu tenho? O chute. Se fosse hoje eu não sei se chutaria. Perna esquerda, da intermediária…

Você chegou ao Fluminense em 2011 sob desconfiança na parte física. Desde então, sofreu apenas uma lesão que lhe tirou dos gramados por dois meses no ano passado. Esse desempenho lhe surpreendeu?

Não sei se me surpreende ou não. Eu me cuido muito, cara. Todo santo treino eu chego uma hora antes, faço meu trabalho de prevenção… A lesão que tive em 2012 foi contra o Boca Juniors. Mas foi meio que burrice minha. Me machuquei com dez minutos de jogo e fiquei em campo até o fim com um grau 2. Para você ter uma ideia, quando acabou o jogo eu já tinha um roxo atrás da perna. E ele normalmente só aparece uns três dias depois. É claro que agravou, mas fiquei pelo momento. Pode ter sido burrice, mas o Fluminense precisava de mim. Já tínhamos muito desfalques e eu achava que naquele momento eu era importante. Quase fiz um gol. Mas já tive alguns problemas e por isso me cuido muito. Achei uma linha de trabalho e sigo ela. Assim as lesões estão diminuindo muito.

De onde vem esse jeito brincalhão? De fora, você e o Wagner parecem os mais palhaços…

O Wagner é o chato (risos). Eu sou o piadista. Não consigo ver a situação e não largar uma piada. Acho que consigo pensar duas coisas ao mesmo tempo. Consigo falar com ti aqui e já bolar alguma coisa lá na frente. Sempre fui assim em todos os times.

Ser famoso é chato ou é natural pelo o que o futebol lhe dá?

É natural, mas tem um limite…

E qual é esse limite?

Da pessoa respeitar quando você está jantando, quando você está com a sua esposa.. Tudo tem um limite, mas é claro que não dá para controlar a cabeça dos outros. Prezo muito também pelo momento do time. O jogador tem que ser inteligente. Se o time não está bem, não dá para se expor muito. Quando as coisas estão bem como agora, é preciso se controlar também. Tudo tem um momento. As pessoas por um lado e os jogadores pelo outro.

Mas muitos jogadores não têm essa noção e acabam se expondo mesmo com o time em situações delicadas. Esses exemplos acabam prejudicando a todos, não?

Óbvio. Mas vai da cabeça de cada um. Tem gente que sai direto e joga superbem. Depende do momento do time. Eu não consigo, sinceramente, perder um jogo e sair de casa, ir para uma boate… Sair para jantar com um amigo que vem de fora me visitar é outra situação, mas aí você também tem que saber o restaurante que você vai. Não dá para ir em um bar de frente para a praia. São cuidados que nós precisamos tomar e que não são tão simples assim. Eles podem ter consequências e a pessoa vai ter que engolir quietinha depois.

Você se considera uma pessoa esclarecida, culta? Gosta de ler? De tomar um bom vinho?

Eu não gosto muito de balada, não consigo me divertir muito. Até vou para não ser o estraga-prazeres, mas todos sabem que não estou feliz ali. Gosto de sair com a minha esposa, ir a um restaurante, tomar um vinho. Já escolhi muito restaurante pela carta de vinhos. Tenho até uma adega na minha casa no Sul, mas tenho bebido pouco ultimamente. Gosto também de me reunir com amigos, receber as pessoas em casa, coisa que o nosso grupo faz muito. Vejo muitos filmes com meus filhos também. São de criança, mas alguns muito bons. Sei até as falas de algum.

Na sua primeira entrevista coletiva em 2013 você disse que já estava difícil correr, que sofria na sua posição e ajudava como podia. O que quis dizer com isso?

Muitas vezes, dependendo das circunstâncias do jogo, eu atuo na meia, cobrindo o lateral. Muitas vezes vocês já me viram tirando bola lá na lateral. E é difícil correr tanto assim e chegar para marcar um gol. Talvez o cara tem uma chance e está cansado. Isso é ajudar como pode. Às vezes o Abel me pede algumas coisas e eu faço. Independentemente de pensar em mim, tenho que pensar no grupo, no clube.

Disse também recentemente que o Fluminense merece ganhar a Libertadores há um bom tempo. Como realizar esse sonho da torcida?

Dificilmente um time joga a Libertadores pela primeira vez e ganha. É preciso sentir a competição. Com o Internacional aconteceu isso na Sul-Americana. Começa a jogar as competições. Torcida, jogadores, grupo… Todos vão se acostumando. Isso tudo caminha junto. O Flu já perdeu uma, já chegou na final da Sul-Americana, já é um time bem visto fora do país. Muitos jogadores lá de fora querem vir jogar aqui. Os adversários respeitam o Fluminense. Faz tudo parte do processo. Nós sabemos que no ano passado faltou muito pouco. Muitos se machucaram, gol no fim… Não sabemos se vamos ganhar, mas vamos tentar. Temos que saber lidar com a derrota para podermos ganhar.

Você é bicampeão da Libertadores, mas ainda não tinha um título brasileiro. Foi especial?

Eu queria muito e foi importante demais para mim. É bom ser reconhecido no seu país. Estar no centro do Brasil, no Fluminense, em um time que está na ponta, campeão da forma como a gente foi, o que é ainda mais difícil… Eu corri muito atrás disso, assim como estou correndo muito atrás da primeira Libertadores do clube, porque sei como ela vai ser importante como aconteceu no Internacional.

No ano passado você declarou que o segundo semestre de 2011 tinha sido a sua volta por cima no futebol. Como foi 2012 e o que esperar de 2013?

Pessoalmente eu acho que 2012 poderia ter sido melhor. Sempre pode. Profissionalmente foi ótimo. Fui campeão e isso não tem preço. Para 2013 eu chego com o pensamento de me manter bem, jogar bem. Tenho objetivos. Vencer sempre é um deles. Quem me conhece sabe que eu dou a vida em qualquer jogo. Em 2013 eu vou fazer de tudo para que seja o melhor ano da minha carreira.

Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Profissional de Marketing Digital, SEO e Mídias Sociais, gosta de poesia, música e filmes, é pai da Heloísa e claro, torcedor do Fluminense.

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