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Livre das dores e após boa estreia, Wagner quer fazer de 2013 o melhor ano de sua carreira

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Destaque absoluto na estreia do Fluminense no Campeonato Carioca, marcando os dois gols na vitória por 2 a 0 sobre o Nova Iguaçu, o meia Wagner não escondeu a alegria de ser protagonista em uma das partidas do Flu, depois de uma temporada de lesões, readaptação ao futebol brasileiro e a dificuldade em fazer gols como o próprio apoiador admitiu.

Ciente de sua temporada inconstante, o camisa 19 revelou as metas traçadas para este ano. Após visitar sua cidade natal, Morada Nova-MG, nas férias, Wagner se diz revigorado e disposto a fazer de 2013 o melhor ano de sua carreira. Para alcançar seus objetivos, o meia teve que superar uma das piores lesões de sua carreira. Uma pubalgia que já o atormentava a três meses, fez Wagner desistir de lutar e se entregar às dores. A partir daí, foram longos 70 dias de tratamento e recuperação até a redenção na partida do último domingo.

- Era uma dor insuportável. Quando você corre, ela te trava. E, quando você chuta, é como se fosse uma facada no abdômen. É muito ruim, pior que lesão muscular ou torção no tornozelo. É atípico. Pior: dá para jogar, mas não para render 100%. Joguei três meses com essa dor. Mas chegou uma hora que não suportei. Estiquei a perna contra o Coritiba, e puxou já o adutor. O púbis prejudicou um adutor, e o outro já estava começando a doer também. Um problema virou dois e já estava querendo virar três. Eu tinha que parar – revelou o apoiador.

Além das dores, Wagner ainda conviveu com dilemas em sua vida pessoal. Em 2012, o apoiador teve perdas dolorosas em sua família. A morte da avó Dirce e de seu primo Igor, atropelado aos 15 anos. Em entrevista concedida ao GloboEsporte.com, na última segunda-feira, o camisa 19 lista os motivos que o motivam a voltar a brilhar em 2013, revela o alívio por superar a lesão, avalia a contratação de Felipe, e deixa claro que rende muito mais em sua posição de origem: como um camisa 10.

- As minhas melhores características aparecem nessa posição. Pegar a bola, ir para dentro, dar passe para o centroavante e até mesmo chegar na área para fazer o gol. E no último domingo foi apenas a segunda vez que eu atuei nessa função com a camisa do Fluminense – disse.

Confira abaixo a entrevista completa do jogador.

Dava para esperar uma estreia melhor do que essa?

Acho que não. Eu até esperava uma boa estreia com um golzinho. Era isso que eu planejava para começar o ano bem. Mas fiquei feliz de começar o ano ajudando a equipe a vencer, fazendo logo dois gols. Dessa maneira está dentro daquilo que estou planejando para 2013.

Depois do jogo, você disse que pretendia fazer de 2013 o melhor ano da sua carreira. Por que deu essa declaração?

Os primeiros seis meses de 2012 foram de adaptação para mim. No segundo semestre eu consegui jogar, tive duas sequências boas, mas sempre faltava aquele algo a mais. A bola batia na trave, o goleiro pegava… Parecia que não era para ser ainda. Por isso acredito que tudo está guardado para este ano.  Agora as coisas vão acontecer e eu acredito muito nisso com pensamento positivo. Estou trabalhando mais forte do que na temporada passada para que as coisas aconteçam.

De onde vem tanta confiança?

Estou mais confiante porque aqueles pilares que sustentam a minha vida estão de novo no lugar. A base familiar está superbem, as coisas que antes davam errado agora estão dando certo.

O que dava errado?

Eu estava com muitos problemas familiares com meu pai, coisas lá em Morada Nova (MG). Perdi minha avó e meu primo de 15 anos em 2012. Foi complicado, e ainda estava me incomodando. Mas depois que estive na minha cidade, no fim do ano, consegui resolver várias coisas e consegui colocar tudo no lugar. Tive uma conversa muito boa com meu pai, minha mãe e meu irmão. Disse que este seria o meu ano e que precisaria deles do meu lado, sem dor de cabeça. Estou tranquilo agora. Acho que a base familiar estando bem, em casa com minha esposa e filhos também está tudo certo, já é o suficiente para que eu possa brilhar em campo.

No ano passado, você disse que seu objetivo no Fluminense era jogar ainda melhor do que em sua fase mais destacada no Cruzeiro. Acha que esses primeiros minutos em campo em 2013 já mostraram que essa meta é possível?

Acho que sim, ainda mais que no ano passado eu estava jogando na vaga do Deco, mais pela esquerda. Marcando bem e sem as minhas principais características de meia. Já contra o Nova Iguaçu, o Abel me colocou ali atrás dos dois centroavantes e consegui chegar bastante na área. Ali é a minha posição, onde eu mais gosto de jogar e meu futebol aparece mais. Se ele precisar que eu jogue em outra posição, não tem problema. Estou no clube para ajudar. Mas o lugar em que mais consigo render é como o número 1 no meio-campo, a posição que eu exercia no Cruzeiro.

Você disse isso em entrevista recente, sobre ter preferência por atuar como um camisa 10. Contra o Nova Iguaçu foi uma das primeiras vezes em que você exerceu essa função no Fluminense?

Para falar a verdade, foi a segunda vez. A primeira foi na final do Troféu Luiz Penido, na vitória por 2 a 0 sobre o Volta Redonda. Até dei um passe para o Lanzini fazer o primeiro gol. As minhas melhores características aparecem nessa posição. Pegar a bola, ir para dentro, dar o passe para o centroavante e até mesmo chegar na área para fazer o gol.

Quem é o titular atualmente na sua posição ideal?

A gente estava jogando com o Fred na frente e três logo atrás dele (Nem, Thiago e Deco). No domingo, o Abel mudou o esquema quando eu entrei. Não tem ninguém na posição que eu quero. Melhor para mim (risos).

Como avalia a temporada de 2012? Você deixou a desejar? Ou foi difícil como esperava?

Até converso muito com a molecada sobre isso: se você faz o gol, muitas vezes ele apaga várias coisas. E no ano passado faltou isso. O gol não estava saindo. Até me lembrei outro dia de um lance contra o Sport. O Thiago (Neves) não desistiu de uma bola, cruzou na área, eu cabeceei livre, e o goleiro fez uma grande defesa. Não tem como, não era para ser. Tiro as coisas boas. Joguei várias vezes no segundo semestre, a gente foi campeão de dois campeonatos. Infelizmente me machuquei, mas ainda assim pude contribuir com boas assistências, como a do gol da vitória sobre a Ponte Preta em São Januário. Eu jogava bem, mas o gol não saía. Agora, começar o ano com dois gols me faz crer que a temporada será diferente. Tenho o pensamento positivo de que será um ano muito bom.

A lesão no púbis lhe preocupou?

Foram dois meses e meio de recuperação. O Abel estava bem preocupado. Ele mesmo teve essa lesão e ficou uns cinco meses parado. O Leomir também me contou que o filho dele que joga futebol está se tratando há seis meses. Por isso todos tiveram um cuidado muito grande, e eu também fiquei preocupado. Fiz tudo aquilo que o departamento médico pediu. Tratei nas férias, fiquei de repouso em casa, vi os amigos jogando pelada e não podia. Devo muito ao departamento médico. O Fábio (Marcelo, coordenador de fisioterapia do Flu) e sua equipe fizeram um trabalho comigo que hoje me permite dizer que estou 100%, zerado.

Como era a dor?

Insuportável. Quando você corre, ela te trava. E, quando você chuta, é como se fosse uma facada no abdômen. É muito ruim, pior que lesão muscular ou torção no tornozelo. É atípico. Pior: dá para jogar, mas não para render 100%. Joguei três meses com essa dor. Mas chegou uma hora que não suportei. Estiquei a perna contra o Coritiba, e puxou já o adutor. O púbis prejudicou um adutor e o outro já tava começando a doer também. Um problema virou dois e já estava querendo virar três. Eu tinha que parar.

Foi frustrante ficar fora da reta final do Brasileiro e não estar presente no jogo do título em Presidente Prudente?

Foi triste não poder participar da festa depois de toda a caminhada. Queria estar lá. Sofri muito com minha esposa vendo o jogo. Mas eu estava tranquilo porque sabia que na frente viriam coisas boas. Procurei me concentrar nisso, tratar, me cuidar. Foi um período muito difícil e que graças a Deus passou. Quando o jogo acabou, eu fiquei pulando feito um louco na sala, com meus dois filhos, gritando “é campeão!”.

E como foi no jogo de domingo e depois? Sem dores?

Está tranquilo. Após os jogos e coletivos, o adutor fica meio travado. Mas o Fábio já conseguiu um mecanismo para que ele volte ao lugar. Encontramos esse macete de colocar a pélvis no lugar. Sem problema algum agora.

Não ter feito toda a pré-temporada com o restante do grupo pode lhe prejudicar no restante do ano?

Acho que não. Fiz todos os treinos físicos com o elenco. Só perdi uma semana de treino com bola. Estava um pouco atrás do grupo na parte física, mas nessa última semana já deu para chegar perto do pessoal. Acredito que nos próximos dias já estarei muito melhor.

O Abel disse antes da estreia que você iria entrar no segundo tempo. E depois da vitória garantiu a mesma coisa pelo menos nos próximos três jogos, independentemente do resultado da partida. O quão importante é ter essa confiança do treinador?

É o que dá tranquilidade para a gente trabalhar. Jogador fica se preparando ao máximo sempre. Quando chega o treinador e fala que você vai jogar, dá a tranquilidade para eu continuar fazendo o reforço muscular necessário e me preparar para pegar essa sequência boa de jogos.

Como você viu essa busca do Fluminense por mais um meia?

Vi com bons olhos. Vamos ter mais um campeonato para disputar neste ano. Então, um cara com o gabarito e a experiência do Felipe só vai nos ajudar. Já trabalhou com o Abel, é vencedor, foi bem recebido. É da mesma posição que eu, mas todos se respeitam e querem seu espaço. Vou continuar dessa maneira.

É uma disputa complicada?

É sadia. É bom disputar posição com craques de como como Deco, Felipe e Thiago Neves. O ruim é quando você disputa a vaga com um cara ruim e perde (risos). O mais importante a gente tem: o respeito. Foi a receita do ano passado. Isso nos levou muito longe. São poucos os clubes que tem grandes estrelas como o Fluminense e não tem dor de cabeça. O Felipe chega para agregar e vai nos ajudar muito.

Sobre Bruno Calhau

Bruno Calhau
Tricolor, Carioca, Tijucano, Cabofriense, Ator, Publicitário e às vezes Jornalista.

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