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Até quando seremos tratados como bandidos pela PM de São Paulo?

Torcida do Fluminense entrando no Morumbi

À medida que vou envelhecendo começo a repensar o meu “prazer” de torcer pelo Fluminense nos estádios. Lembro-me do dia em que meu pai disse que não mais iria assistir clássicos no Maracanã, porque zelava por sua segurança, e estou prestes a seguir o mesmo caminho.

Ano passado fiz uma coluna, logo após a partida contra o Palmeiras, no Canindé, falando sobre a truculência da PM de São Paulo. Infelizmente, um ano depois, nada mudou. E não mudou como não muda desde que era criança, e se ninguém fizer nada, vai continuar da mesma maneira, e estamos no País que sediará a Copa do Mundo. Será que estamos preparados para lidar com torcedores oriundos de outros Países se não estamos preparados para lidar com torcedores de outros Estados?

Antes que venham falar em rixa entre Cariocas e Paulistas, deixo claro que não tenho nada contra São Paulo, moro na Cidade inclusive, pela segunda vez e estou mais do que acostumado a assistir jogos do Fluminense na Terra da Garoa.

Fui para o Shopping Butantã e de lá parti a pé para o Morumbi, trajando roupas normais, ao lado de uma imensa torcida do São Paulo. Vi alguns torcedores do Fluminense, e nenhuma confusão. Li em algum lugar problemas com o ônibus do Fluminense, porém, por onde passei, não vi nada fora do normal.

Dei a volta no entorno do Estádio, para acessar a área destinada à torcida visitante, e até o momento nenhuma abordagem da polícia, nada, tudo na mais perfeita ordem. Chegando à frente da entrada, muitos torcedores tricolores confraternizando, e resolvemos, eu e uma amiga, trocar nossas camisas, colocando as do Fluminense e a partir disso acabou a nossa paz.

Enquanto colocávamos nossas camisas, cerca de cinco policiais, chegaram aos berros “Já tem ingressos? Entra no Estádio agora”, explicamos que já estávamos entrando, era só uma questão de vestir a camisa, mas não fomos atendidos, “Entra logo, veste a camisa lá dentro” esbravejava o guarda mais exaltado, ignorando o meu direito, como cidadão, à liberdade de locomoção, estabelecido pelo inciso XV do artigo 5º da Constituição Federal.

Como dizia Raul Seixas: “Não mexo com política, governo ou censura, é tudo gente fina o meu advogado jura”. Então segui para o estádio, mas nem todos são prudentes como eu, e não somente questionaram a necessidade da ordem, como da truculência usada para exigi-la. Além da tradicional frase “Entra logo, isso aqui não é o Rio de Janeiro” (sim, estou lhes poupando dos palavrões proferidos), o que vimos foi mais truculência, agressões verbais e físicas até que finalmente dentro do Estádio, eu estava protegido da polícia, porque na partida deste domingo, eu não tive medo dos torcedores rivais e sim daqueles que deveriam promover a ordem e a paz.

Circulam hoje pelas redes sociais fotos de torcedores agredidos pela polícia e isso precisa ser denunciado, não somos gado, não somos animais e nem bandidos. Não sou cego (apesar de míope), sei que torcedores muitas vezes exageram, mas não foi o caso, mais uma vez não foi o caso.

Chega de sermos tratados como bandidos pela polícia de São Paulo. Empurram e agridem homens, mulheres, idosos e crianças. Somos todos Brasileiros, cidadãos, merecemos respeito e proteção, sendo moradores de São Paulo, como eu, ou não.

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Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Profissional de Marketing Digital, SEO e Mídias Sociais, gosta de poesia, música e filmes, é pai da Heloísa e claro, torcedor do Fluminense.

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