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Lembranças do passado: Nós merecíamos mais esse título

Lembranças do passado: Nós merecíamos mais esse título

A noite estava fria, mais do que isso, gelada, prenúncio do que estava por vir. Não sei bem explicar o sentimento que me acompanhava naquele instante, angústia? Sim, também, havia o medo, a tristeza, a esperança e toda aquela sensação de impotência, de vergonha e de humilhação.

As primeiras gotas de chuva começavam a cair, não havia como me esconder. Olhava pra o céu e sentia a água molhando meu rosto, em instantes eu estava completamente encharcado. As pessoas ao meu lado, pensavam o mesmo que eu. A chuva era a única coisa que faltava para nos impor mais uma sensação de vergonha, de fundo do poço.

O Maracanã em obras, não nos permitia o mínimo de conforto, sequer a arquibancada estava disponível, estávamos na extinta geral, aglomerados, vendo o Fluminense empatar em 1 a 1 em uma partida decisiva pela Série C do campeonato Brasileiro. O gol do Yan de pênalti foi o alento naquela noite fria de dezembro, em 1999.

Estávamos quebrados financeiramente, politicamente e emocionalmente, mas voltamos a Série A, aos trancos e barrancos é verdade. Em nossa primeira chance de mostra a todos que voltamos a ser o grande Fluminense, o chute do Adhemar, com ajuda do goleiro Murilo, enterrou nossas pretensões, perdemos a chance de voltar a brilhar no campeonato Nacional e justamente para uma equipe de pouca expressão. Por que precisamos passar por aquilo? A pergunta acompanhava minha alma.

Oito anos depois, já com alguma dignidade após dois Estaduais e uma Copa do Brasil, voltamos a ter a chance de mostrar a todos o quão grandes somos. Eliminamos o poderoso São Paulo e o imbatível Boca Juniors, mas quis o destino, que mais uma vez, o Maracanã me visse chorar, sendo derrotado por uma equipe que até então, não figurava entre as maiores da América Latina.

A derrota não poderia ser simples, precisava passar pelos “requintes de crueldade”. Depois de uma épica campanha, sucumbíamos nos pênaltis, após sermos goleados fora de casa, e como uma “Fênix verde de esperança” resurgir para o nada, para o silêncio e para a dor que até hoje não cicatriza.

Quando chegamos ao ano seguinte, e aos 98% de chances de um novo rebaixamento, a pergunta voltou a me perseguir: Por que precisamos passar por aquilo? Não teriam os Deuses do Futebol piedade de nossas almas Tricolores? Porque um clube retumbante de glórias precisava passar por todas essas provações?

Porém, coube ao destino me fazer ver que mais uma vez Deuses, guerreiros e milagres são ao longo da história, algo que caminham lado a lado. O Fluminense se recusou a voltar, se recusou a dar um novo passo atrás, e lutou contra todas as previsões e estatísticas até o último instante, se mantendo no campo de batalha, afinal, era preciso estar lá para se preparar para a Glória.

Dez anos depois da nossa primeira tentativa Nacional de mostrar a todo o País que poderíamos voltar a ser o grande Fluminense, conquistamos o Campeonato Brasileiro. Uma conquista com a nossa cara, suada, decidida no último instante brigando ponto a ponto com as maiores equipes do País.

Tivemos novas oportunidades de mostrar ao Mundo que voltamos, esbarramos em alguns percalços, mas uma batalha perdida não mais nos causava tanta dor, aprendemos a lidar com a situação, para vencer novas guerras. E como se não bastasse voltar a ser campeão Brasileiro, repetimos o feito, mas dessa vez sem piedade dos adversários, quebrando recordes e sem deixar nenhuma dúvida que o Fluminense é a melhor equipe do Brasil. E nossa torcida, um dia humilhada, envergonhada, sabe agora, que o show está apenas começando.

E quando volto a me perguntar, por que precisamos passar por aquilo? Hoje eu tenho a resposta:

O Fluminense precisava passar por tudo aquilo, para descobrir que podia ser ainda maior do que já era. Não nos bastava ser um dos grandes do futebol Nacional, precisávamos ser enormes.

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Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Profissional de Marketing Digital, SEO e Mídias Sociais, gosta de poesia, música e filmes, é pai da Heloísa e claro, torcedor do Fluminense.

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