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Em que patamar estamos?

torcida na roleta

Esperava-se que a noite da última quarta-feira no Engenhão fosse de festa. Bom, pelo menos esperava-se uma boa dose de entretenimento e emoção durante a partida, o que acabou ocorrendo sim, mas de maneira negativa para nós, torcedores do Fluminense. Mas o pior de tudo não foi o resultado dentro de campo. O fato que agravou a revolta de muitos torcedores presentes no estádio olímpico João Havelange foi a dificuldade que torcedores já cadastrados como sócios do clube tiveram para entrar no estádio.

Como de costume, cheguei na entrada das arquibancadas do setor Leste com antecedência,  pouco antes das 21h, onde encontrei meu pai e segui para a fila, que estava tranquila, até a roleta de entrada. Ali, os problemas começaram. Fiz o cadastro pelo plano Sócio-Futebol no dia 5 de fevereiro, última data possível para quem desejava exercer seu benefício já nesta partida contra o Grêmio. Meu pai, que estava viajando, não teve como fazer seu cadastro a tempo, e comprou seu ingresso normalmente pela internet.

Como todos que fizeram o cadastro e a compra pelo Portal do Sócio no site oficial do Fluminense sabem, comprei o ingresso por meio de um cartão de crédito, tal qual foi feito em muitos jogos do ano passado. Na hora de passar, a roleta não reconheceu o cartão de crédito, e como ainda não recebi minha carteirinha de sócio, fui orientado a ficar em OUTRA FILA com outros torcedores com exatamente o mesmo problema que eu. Meu pai, que não é sócio, passou sem problemas.

À espera de uma solução, comecei a notar a falta de preparo e estrutura dos que deveriam dar total conforto e prioridade aos que optaram por pagar uma mensalidade para ter o privilégio de ajudar o clube e comprar o ingresso com certa antecedência e desconto. Ouvimos do profissional do Engenhão que estava cuidando da roleta que a PM tinha ido buscar um ou mais funcionários  do clube para resolver o problema (Por que já não estavam ali?).

Até aí tudo parecia normal, se tivermos a boa vontade de considerar que era apenas o primeiro jogo em que o sistema era testado com os novos associados, mas havia ali também pessoas que se associaram em NOVEMBRO, na mesma situação. Como eu era um dos primeiros daquela fila, vi de perto a movimentação dos tais funcionários, e em conversa informal com o responsável por aquela roleta, soube que eles dispunham ali da magnífica estrutura de UM LAPTOP para conferir os cadastros de cada torcedor que não conseguia entrar.

A verificação, pasmem, era feita da maneira mais primitiva possível: O torcedor dava seu nome, documento e talvez o cartão pelo qual fez a compra para o pessoal do clube, que ia até o Laptop, conferia a veracidade dos dados e liberava a entrada do mesmo. Tal percurso foi feito à exaustão, um a um, depois de dois em dois. À medida que o horário do início do jogo se aproximava, a fila aumentava, e aumentava também a ansiedade de muitos torcedores com medo de não ver a entrada do time em campo ou até mesmo perder alguma coisa da partida.

Houve estresse entre torcedores em meio a idosos e crianças, o que expôs não só a falta de preparo dos profissionais para lidar com situações extremas, como também a falta de educação de boa parte de nosso povo. O nível de amadorismo foi confirmado de fato quando meu pai, que ainda me esperava logo na entrada, veio com meu ingresso na mão para enfim liberar minha entrada. Ao entrar, ele me contou que apenas deu meu nome a uma das meninas que estavam NO CHÃO com um monte de carteirinhas jogadas, e elas procuraram meu ingresso como quem procura uma aliança perdida no mar, até encontrá-lo.

Mesmo inconformado com tamanha desorganização e falta de compromisso, entrei e quis esquecer aquilo para torcer em paz para o meu time. Não fiquei para ver o final da história dos outros que estavam atrás de mim na fila, ou dos outros que, confiando no bom funcionamento do sistema e acostumados a entrar de última hora, possam ter entrado depois do início do jogo. Obviamente, a confusão aumentou  e teve outros desdobramentos.

Talvez a pergunta do título deste texto não seja a mais importante, e sim em que patamar queremos chegar? Será que vale a pena colocar mais um tostões no bolso, não encher o estádio e oferecer uma estrutura tão precária a quem se propõe a contribuir financeiramente com o clube? Será esse o estímulo que a diretoria pretendia dar aos que ainda não se associaram? A ver o que nos espera nos próximos jogos.

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Sobre Renan Castro

Renan Castro
Jornalista, carioca, gosto de música, praia, futebol e outros clichês. Na minha vida, as únicas certezas absolutas são a morte e o amor ao Fluminense

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