O corpo de um empresário capixaba que estava desaparecido desde outubro foi localizado na madrugada desta sexta-feira (6), enterrado em uma cova rasa no bairro Unamar, localizado no município de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A vítima foi identificada como Christiano Deorce Benedito, de 54 anos, atuante no ramo de madeira.
Dinâmica do crime e falsa fachada de sequestro
Conforme as investigações conduzidas pela Delegacia Antissequestro (DAS), o caso que inicialmente parecia se tratar de privação de liberdade revelou ser um latrocínio. O delegado titular da DAS/RJ, William Pena Júnior, explicou a reviravolta:
“Então, a gente elucidou esse caso, que a princípio se tratava de sequestro, mas, ao final, a gente descobre se tratar de um latrocínio, onde roubaram a vítima e depois a mataram um para que ela, talvez, pudesse não delatar esses criminosos à Polícia Civil”, disse William Pena Júnior, delegado titular da DAS/RJ
Mesmo após o assassinato do empresário, os criminosos mantiveram contato com parentes e conhecidos, exigindo transferências via PIX sob o falso pretexto de que ele continuava vivo em um cativeiro. A apuração apontou que a meta do grupo era arrecadar R$ 4 mil por meio das extorsões e negociar a caminhonete da vítima por cerca de R$ 40 mil. Para tentar justificar a execução perante a comunidade local, os suspeitos ainda espalharam o boato falso de que o empresário seria estuprador.
Cronologia e localização dos suspeitos
Christiano chegou a Cabo Frio em 20 de outubro para realizar entregas comerciais, hospedando-se no bairro Aquarius. No dia seguinte, foi atraído por criminosos e entregue ao tráfico de drogas local, sendo morto por motivação patrimonial ainda em 21 de outubro. A família registrou o sumiço no dia 22, e as autoridades rastrearam movimentações bancárias já no dia seguinte, resultando na prisão de duas mulheres envolvidas no esquema de recebimento de valores.
No dia 27 de outubro, Wallace Santos de Oliveira, apontado como gerente do tráfico em Unamar, reagiu a uma abordagem policial e morreu após troca de tiros. Já Lucas Reis Lima de Freitas, de 20 anos, foi capturado em um hotel em Saquarema e indicou aos agentes o local da cova rasa, onde o corpo e a caminhonete foram achados.
Posicionamento da defesa
A defesa de Lucas Reis Lima de Freitas emitiu uma nota oficial sobre o caso:
Lucas nega ter cometido o homicídio do empresário. Ao tomar conhecimento de que estava sendo procurado, entregou-se voluntariamente à polícia, sem oferecer resistência, e vem colaborando com as investigações. Sua prisão é provisória e não há condenação neste caso. A defesa apresentará, no momento adequado, os elementos que sustentam sua inocência em relação à acusação de homicídio. Por respeito à investigação e para preservar a estratégia de defesa, não anteciparemos detalhes neste momento. Pedimos que os fatos sejam apurados com rigor e que a presunção de inocência seja respeitada, sem julgamentos antecipados.









