A indústria brasileira encerrou o terceiro trimestre com novos sinais de enfraquecimento. A produção recuou 0,8% em setembro, na comparação com agosto, e evidenciou a dificuldade de recuperação dos segmentos mais ligados à atividade econômica doméstica. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Os resultados acumulados entre janeiro e setembro mostram trajetórias distintas dentro do setor. Enquanto a indústria extrativa registrou expansão de 5,9%, impulsionada pelas atividades minerais e energéticas, a indústria de transformação recuou 0,6%.
Na análise da Firjan, o avanço da extração não se converteu em uma retomada disseminada da atividade industrial. A diferença entre os segmentos indica que o desempenho positivo está concentrado em áreas favorecidas pela conjuntura internacional, enquanto a transformação continua pressionada pelas condições internas.
O custo do crédito é um dos fatores que ajudam a explicar esse quadro. Após interromper o ciclo de redução dos juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano. A taxa elevada prolonga a pressão sobre o financiamento e o capital de giro das empresas, além de limitar o consumo e os investimentos.
A federação também aponta a perda de confiança dos empresários industriais, que permanece em território pessimista. As incertezas em torno do cenário macroeconômico e da sustentabilidade das contas públicas contribuem para ampliar a cautela das empresas e adiar decisões de investimento.
Para a Firjan, a reversão desse quadro exige uma combinação de condições econômicas mais favoráveis. A retomada da redução dos juros é considerada importante, mas não suficiente. A entidade defende um arcabouço fiscal confiável e reformas que contribuam para elevar a produtividade e a competitividade do país.
Na avaliação da federação, a ausência de sinais consistentes de equilíbrio das contas públicas e de estabilidade institucional dificulta a recuperação da confiança empresarial. Sem maior previsibilidade para os próximos anos, o país tende a enfrentar obstáculos para ampliar a capacidade produtiva e sustentar um ciclo duradouro de crescimento industrial.










