O encerramento da manutenção anual do Sistema Guandu deu início a um período de incertezas e torneiras secas para moradores e comerciantes da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Embora a concessionária responsável tenha finalizado os trabalhos na estação de tratamento na noite de terça-feira (3), o fluxo regular não retornou de forma imediata, gerando um efeito dominó que afeta toda a região densamente populacional.
Impacto das obras e intervenções extras
O cenário crítico na Tijuca foi agravado por uma paralisação simultânea na rede de distribuição. Além dos reparos principais na captação, a concessionária Águas do Rio realizou uma intervenção na Praça Seca para a instalação de um macromedidor. Essa obra exigiu a diminuição temporária no volume de água que abastece grande parte da Zona Norte, estendendo o período sem fornecimento para milhares de famílias.
Desafios em condomínios e áreas elevadas
Em vias movimentadas como as ruas São Francisco Xavier, Conde de Bonfim e Haddock Lobo, a rotina foi completamente modificada. Síndicos e administradores de edifícios precisaram adotar esquemas rígidos de racionamento para evitar o esgotamento total dos reservatórios subterrâneos.
“Fechamos o registro do prédio das 22h às 6h para garantir que os moradores consigam fazer o básico de manhã. Mesmo assim, nossa cisterna já está no limite. Se não voltar um fio de água com pressão até amanhã, teremos que cotar um caminhão-pipa, o que é um gasto extra pesado para o condomínio”, relata Carlos Alberto Silva, síndico de um edifício de 12 andares na Rua Conde de Bonfim.
Nas pontas de rede e nas regiões de relevo mais acentuado, como a Usina, a Muda e os trechos altos dos morros locais, a retomada da pressão exige mais tempo, deixando ruas inteiras sem uma gota de água.
“Na quarta-feira disseram que ia voltar, mas aqui em cima não chegou uma gota. A gente tenta economizar lavando a louça com balde, mas fica aquela sensação de impotência. O pior é que, quando começa a voltar, vem aquele barulho de ar na tubulação e a água chega fraca e escura”, lamenta a professora aposentada Maria das Graças Menezes, moradora de uma das áreas mais elevadas da Rua Uruguai.
Previsão de normalização do serviço
De acordo com a Águas do Rio, a rede de distribuição iniciou a fase de pressurização de forma gradual. Contudo, devido à extensão das tubulações e à topografia acidentada do bairro, a recuperação integral do abastecimento pode demandar até 72 horas.
Com isso, a estimativa oficial aponta que o serviço seja totalmente estabilizado entre sexta-feira (6) e sábado (7), afetando prioritariamente as extremidades e os imóveis situados em pontos mais altos.
Enquanto a situação não for solucionada, a recomendação é poupar os estoques das cisternas, evitando o consumo com lavagens de veículos, calçadas e roupas. Em casos emergenciais, o canal de atendimento da Águas do Rio está disponível pelo telefone e WhatsApp 0800 195 0195 para esclarecimentos e pedidos de suporte com caminhões-pipa.
A interrupção prolongada no fornecimento evidencia como falhas no planejamento afetam diretamente a saúde pública, a segurança alimentar e a dinâmica econômica de bairros inteiros, cobrando das empresas prestadoras de serviços maior transparência e agilidade na comunicação com os consumidores.










