Uma ofensiva da Polícia Federal mira um esquema criminoso estruturado para adquirir armamento de grosso calibre e munições de uso restrito por meio de documentos adulterados no Estado do Rio de Janeiro. A ação tem como alvos centrais dois policiais militares lotados no 32º Batalhão da PM, que atuam em municípios como Macaé e Rio das Ostras.
Apreensão de fuzis e prisões em flagrante
Batizada de Operação Polaridade, a força-tarefa recolheu um expressivo arsenal bélico. Ao todo, foram apreendidos sete fuzis — sendo que cinco deles estavam guardados na residência de um dos PMs investigados —, além de uma espingarda, um revólver, uma pistola, mídias eletrônicas e documentos comprobatórios.
Durante as diligências em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, um militar da Marinha acabou sendo detido em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. As ordens judiciais expedidas incluíram mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária cumpridos nas cidades de Macaé, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Araruama e Volta Redonda.
Fraude em licenças para atiradores e pagamento de propina
As apurações apontam que a engrenagem criminosa atuava diretamente na liberação fraudulenta de processos administrativos voltados a CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores). Para furar os trâmites legais e viabilizar os registros fraudulentos, o grupo pagava propina a um funcionário terceirizado.
Os investigados poderão responder por uma série de delitos federais e estaduais, entre eles corrupção ativa e passiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistema de informações, falsidade ideológica e comércio ilegal de armas de fogo, além de outros crimes que surgirem na apuração.
Situação funcional dos policiais militares
Dos policiais investigados, o primeiro atua na 3ª Companhia da PM, em Rio das Ostras, e foi abordado pelos agentes federais em sua casa, localizada em Araruama. O segundo reside em São Pedro da Aldeia, mas não estava no imóvel durante as buscas e também não compareceu ao batalhão para cumprir sua escala de trabalho.
A Polícia Militar declarou que a Corregedoria-Geral deu suporte operacional à PF por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). A corporação informou ainda que instaurou procedimentos para avaliar a conduta funcional dos agentes e aplicar as medidas disciplinares cabíveis.










