Rogério Andrade era considerado pelos investigadores um contraventor que administrava seus empreendimentos com pulso firme até ser detido, em outubro de 2024. Vinicius Drumond — herdeiro de Luizinho Drumond, falecido banqueiro da ilegalidade — é investigado em um procedimento da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) que o coloca como mandante do assassinato de um ex-supervisor de pontos de aposta. O ofendido teria migrado para a facção de um antigo parceiro: Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que, assim como Rogério, encontra-se encarcerado fora do estado. Interlocutores da polícia consultados pela imprensa carioca asseguram que a “nova liderança” da contravenção, composta pelos três indivíduos, desmoronou.
Em 2021, diálogos de Adilsinho com um contato, captados pela Polícia Federal, revelavam a ambição de assumir, com seus apoiadores de então, uma posição de comando na exploração do jogo ilegal. Contudo, Vinicius desfez a parceria ao se julgar atraiçoado por Adilsinho. Com a captura de Rogério pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) da Procuradoria fluminense, a coalizão se desintegrou. Transferido para um presídio de segurança máxima federal, ele representava o ponto de equilíbrio e a mente estratégica da “nova direção”.
Agravando a situação, o homicídio do também bicheiro Fernando Iggnácio — crime atribuído a Rogério — fez emergir outro rival: Marcos Paulo Moreira da Silva, o Marquinhos Sem Cérebro, antigo auxiliar direto da vítima e que herdou os domínios do chefe. De acordo com integrantes do Ministério Público, ele iniciou uma disputa por áreas de atuação com Rogério em Bangu, na Zona Oeste carioca, reduto da família Andrade.
Para além das loterias ilegais — abrangendo apostas virtuais e caça-níqueis —, Rogério possui dois negócios formalmente registrados em seu nome no ramo náutico, sua predileção pessoal: a Planet Boat e a Rai Holding. Seus investimentos diversificados incluem até a casa de comida lusitana Gajos D’Ouro. O contraventor é sucessor do mítico Castor de Andrade, falecido por infarto em 1997, e mecenas da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.
Por sua vez, Adilsinho é identificado pela PF como comandante do esquema de cigarros ilegais. A instituição desmantelou três unidades fabris clandestinas, onde trabalhadores paraguaios eram submetidos a situações semelhantes à escravidão. A operação se expandiu de tal modo que existem ocorrências de atuação em dez unidades federativas. O quartel-general do bicheiro situa-se em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Adilsinho foi detido em 26 de fevereiro deste ano pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, força-tarefa que reúne agentes das polícias Federal e Civil, com suporte da Procuradoria da República. Naquele momento, o superintendente da PF, Fábio Galvão, classificou-o como “o mais cruel dos líderes da contravenção”. Ele figura como suspeito de determinar um ataque contra Vinicius na Barra da Tijuca, no ano anterior. Também é investigado por encomendar mais de uma dezena de homicídios.
Procurados pela imprensa, o defensor de Adilsinho, Ricardo Braga, encaminhou um comunicado: “Os registros da detenção de Adilson esvaziam o discurso de alta periculosidade imputada ao empreendedor. Adilson refuta qualquer vínculo com facção criminosa, assassinatos ou com o mercado ilícito de cigarros. Adilson reafirma sua irrestrita convicção na Justiça, seguro de que sua inocência será demonstrada”. A representação legal de Rogério não respondeu. A equipe de reportagem não obteve retorno de Vinicius.









